A linda história do Hino “Quão Grande és Tu”

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Entre desculpas e canções

Não faz muito tempo, eu pude passar pelo que chamamos de uma conversa constrangedora. Estávamos saindo da escola dominical, quando o líder de jovens nos abordou e me disse: “olha só, fiquei sabendo que alguém aqui sabe tocar violão! Já sei quem vai tocar no próximo sábado!”

Acontece que eu nem frequentava o culto de jovens. E tinha várias desculpas: trabalho, faculdade, uma filha de três anos… enfim. Além disso, fazia nada menos que quatorze anos que eu não dedilhava um violão, e haviam ótimos músicos na congregação. Sem chance.

Dia desses, li uma história.

Imagine: Primeira Guerra Mundial. Década de 1930. Bombardeios por toda a parte. Sangue fervendo nos olhos de adultos, mulheres e crianças. Você é inglês e está na Ucrânia, território russo. Você não sabe quando (e se) a guerra iria acabar. Tudo o que via era ruína, opressão, destroços. Sua vontade de viver para escapar daquilo fica cada vez mais fraca.

Acontece que você ficou sabendo que havia um homem que fazia reuniões em inglês para orar e estudar a Palavra de Deus, e resolve ir.

E justamente ali, naquela pequena reunião em meio a grandes desastres, você ouve um hino que lhe abre os olhos para a verdadeira esperança e para a verdadeira vida.

Conseguiu imaginar?

Bom, essa história é real.

Acontece que o hino se chamava “O Store Gud”, e ficou conhecido para nós hoje, quase noventa anos depois, como “Quão Grande és Tu”. Ele foi escrito por Sr. Carl Gustaf Boberg, pastor sueco e membro do parlamento, após uma experiência que muitos de nós, com muito menos sangue azul no currículo, jogaríamos fora por considerá-la desimportante.

Ele passeava ao ar livre quando foi surpreendido por uma grande tempestade, e, em seguida, uma calmaria que inundou o lugar e encheu seu coração de maravilha e espanto.

Ao voltar para casa, se pôs a rabiscar os versos que foram publicados em 1891 no seu jornal. Em 1927, o hino ganhou uma versão russa, que foi traduzida a partir de uma versão alemã do texto sueco. É então que entra Stuart K. Hine, o missionário que traduziu o texto russo para o inglês, e o cantou no grupo pequeno onde estávamos agora há pouco.

Depois disso, Stuart publicou o hino em 1949, acrescido de uma última estrofe, e assim ele viajou por décadas e quilômetros até chegar a nós.

Não é para ficar maravilhado, mesmo?

Só nesse breve trecho da história deste hino, que hoje é um importante patrimônio histórico e cultural do protestantismo (além de possuir altíssimo conteúdo teológico), contamos com:

  • 1 poeta (Boberg)
  • 1 tradutor do sueco para o alemão
  • 1 tradutor do alemão para o russo
  • 1 tradutor do russo para o inglês e também poeta (Stuart)

Isso fora os demais envolvidos na publicação, distribuição e divulgação (lembre-se: não havia internet na época, e ainda era uma época de guerra).

Imagine, agora, se qualquer uma dessas pessoas não estivesse tão afim de fazer o que fizeram; certamente deveria haver muita gente estudada e mais preparada que eles para escrever e traduzir, mas ainda assim eles se dispuseram. E assim o hino viajou por épocas e atravessou fronteiras, e ainda hoje podemos louvar a Deus com as suas palavras.

Nossa sociedade vive tempos apáticos.

Em 1964, uma moça da minha idade chamada Kitty Genovese foi atacada e morta diante de dezenas de espectadores que simplesmente não fizeram nada porque outra pessoa poderia fazer. O seu caso ficou famoso pelo que os psicólogos passaram a chamar de “efeito espectador”.

Imagine-se como uma das pessoas que assistiu ao crime. Você até poderia chamar a polícia, ou chamar a atenção para o fato, mas pense no trabalho que iria dar: você teria que ir correndo em busca de um telefone, ou então literalmente correr para alguma autoridade, sem contar a exposição da sua própria identidade ao risco de ser marcado pelo criminoso.

Esse foi o pensamento que matou Kitty Genovese.

Imagine se esse pensamento estivesse no coração de Moisés, ou Isaías, ou Abraão, ou Jacó. Moisés não sabia falar; Isaías era muito jovem, e Abraão era velho, marido de uma mulher estéril. Jacó havia enganado o próprio pai. Mas eles aceitaram o chamado, e, pela fé, fizeram história.A nossa história.

Deus os capacitou para realizar a Sua obra. Ele faz questão de chamar os pequenos, os pecadores e incapazes, para que com isso o mundo veja que a obra não foi humana, mas divina. E Ele nos permite fazer parte da Sua obra, para que ela também seja feita em nós.

“Senhor, meu Deus, quando eu, maravilhado, Fico a pensar nas obras de Tuas mãos…”

Esse hino se tornou um de meus favoritos desde então.

Talvez eu o toque no próximo culto de jovens.

Bianca Borges Fauro

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9 thoughts on “A linda história do Hino “Quão Grande és Tu”

  1. Linda exposição, Bianca! E toca-me, incomoda-me, assusta-me, estarmos vivendo o “efeito expectador”. Deus nos ajude a sermos mais praticantes do seu Evangelho em nome de JESUS!!

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